Sim. Esta é uma viagem pela América do Sul e a primeira pergunta que vem à cabeça é "Mas isto não é perigoso ?".
Todo lugar tem perigos em potencial e não haveria razão para que esta parte do planeta fosse diferente, afinal o Brasil está localizado no continente Sulamericano e nós brasileiros bem sabemos os problemas que o país enfrenta, situação esta não muito diferente nos outros países da América do Sul.
Se você como eu vive em São Paulo então, já deve estar mais do que acostumado a arriscar-se todos os dias.Ou vai dizer que viver em uma cidade que oferece semáforos interativos não é por si só uma aventura ? Sim, semáforos interativos. Aqueles onde a mudança do verde para o vermelho implica na apresentação em tempo real de um espetáculo aleátorio, que pode consistir em dois simpáticos garotinhos de pés descalços jogando quatro bolinhas de pano para o ar, um palhaço equilibrando facas, a chamuscante mulher engolidora de fogo ou, se você estiver em um mau dia, carismáticos sequestradores armados que levarão você para um passeio inesquecível pelos caixas eletrônicos da cidade.Esses últimos, aliás, são os menos apreciados pela população local, já que são os únicos que cobram ingresso obrigatório pelo show.
Enfim, parte do planejamento de uma viagem consiste em listar os riscos para que possamos evitá-los. E é justamente isso que você encontra abaixo :
Roubos
Roubos acontecem na América do Sul. Isso é inegável. Talvez não sejam tão frequentes como a maioria das pessoas fantasia, mas definitivamente acontecem. Em todo caso, vale se comportar como se estivesse em uma capital brasileira e não dar bobeira. Os delitos mais comuns são roubos de carteiras ou relógios, com maior incidência em estações rodoviárias e centros urbanos. Casos mais graves, como assalto a mão armada são mais raros e ficam geralmente restritos a grandes metrópoles. Roubos de mochilas e malas também podem acontecer, principalmente quando a bagagem é embarcada em trens ou ônibus. Aqui, vale deixar na mochila apenas roupas e levar com você todos os objetos de valor.
Golpes
Golpes acontecem com frequência nos países do Paraguai para cima. Alguns são velhos conhecidos dos viajantes. Por exemplo, o golpe da cusparada (isso mesmo) onde alguém cospe nas suas costas e quando um simpático turista se oferece para ajudá-lo a limpar a sujeira, você percebe que a sua carteira foi o lugar que ele mais limpou. Variantes desse golpe incluem o golpe do liquido fedorento, o golpe do cocô de pombo e sabe lá mais o que podem jogar em você para te limpar... Pode parecer engraçado, mas infelizmente é verdade e acontece.
Um golpe bastante aplicado na Bolívia é o golpe do policial falso. É preciso ficar atento. Um suposto policial aborda o viajante e diz que há algo errado com seu passaporte e que ele precisa acompanhá-lo até a delegacia mais próxima. A vitima é então conduzida a um carro, onde é roubada e deixada em uma rua deserta. Nenhum policial deve abordar turístas na rua. Se isso acontecer, mantenha a calma e diga que vai ligar para a polícia.
Lembre-se que você é brasileiro e, além de não desistir nunca, está mais do que antenado com as malandragens sulamericanas.
Ameaças Naturais
Vulcões em plena atividade, terremotos, ciclones, tsunamis. Tudo isto acontece também na América do Sul. A Area da cordilheira em particular ainda está em formação e os movimentos das placas tactônicas da Terra frequentemente causam abalos sísmicos.
Em 1996, um terremoto praticamente arrasou a cidade de Nazca. Mais recentemente, em julho de 2001, um tremor de 8.4 na escala Richter atingiu a cidade de Arequipa deixando 80 mortos e 3 mil feridos. No caso de um terremoto, a dica é buscar abrigo embaixo de algo solido (como uma mesa por exemplo) e ficar longe dos fios elétricos caso você esteja em uma área externa além de prestar atenção a tijolos e postes que possam eventualmente cair.
No caso de ciclones e tufões, procure abrigo imediatamente e evite ficar em ambientes externos durante a ventania.
A última erupção de um vulcão no continente aconteceu em julho de 2001 no Equador, quando ninguém se feriu.Claro que isso tudo são apenas precauções. A probabilidade de algum desses eventos ocorrer bem no momento em que voce estiver passando pela área é baixa (Lembre-se dos semáforos de São Paulo).
Mal de Altitude
Talvez essa seja a ameaça mais provável que um viajante terá que enfrentar em uma viagem pelos Andes. Cada pessoa reage de uma forma diferente quando está exposta a um ambiente em altitudes superiores a 3.000 metros. Com a altitude, a pressão atmosférica é reduzida, e a capacidade de assimilação de oxigênio pelos pulmões também. Com menos oxigênio, o corpo manifesta sintomas como dores de cabeça, enjoô, vômitos, tontura, insônia, além de extrema dificuldade em realizar qualquer esforço físico simples. Esses sintomas devem desaparecer em até três dias, que é o tempo médio que o corpo leva para se adaptar a trabalhar com menos oxigênio. Caso os sintomas não desapareçam, não existe solução a não ser descer para um lugar abaixo de 1000 metros do nível do mar, já que no momento, não existem medicamentos para o mal da altitude. Ignorar os sinais do corpo em relação a altitude pode levar a conseguencias graves como edema pulmonar e cerebral e até mesmo a morte. Mas essas complicações são mais frequentes em alpinistas enfrentando grandes altitudes.
Resumindo
Como diria Vinicius de Moraes, são demais os perigos dessa vida. Agora que você já foi devidamente assustado, aproveite as outras sessões do site. Há milhares de pessoas viajando pela América do Sul todos os anos. E a grande maioria volta inteira para casa.
[ Marcus em 16/2/2005]
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Cuidados e o que Evitar...