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Descobrindo a América BLOG ! Viajando de Mochila pela America do Sul



    Florianópolis, Brasil - 21 de marco de 2005  

5. Admiravel Mundo Novo

-Interessante ! E quanto vai custar essa viagem ? - Perguntou o bigodudo que teimava em puxar assunto no onibus para Florianopolis.

    Imediatamente uma sensacao de tedio se abateu sobre mim. Sempre a mesma pergunta. As pessoas sao assim, nao lhes interessa saber sobre a sensacao incrivel de liberdade que se sente viajando, as almas maravilhosas que se pode encontrar, as paisagens, as amizades, as razoes, as paixoes. O que importa é o dinheiro. Já conformado, eu me ponho ao seu alcance. Falo de custos, prazos, distancias. Precisamos nos comunicar em niveis diferentes com pessoas diferentes se quisermos viver em paz nesse mundo. Enquanto isso, eu continuo buscando as pessoas que sabem fazer as perguntas certas.

    Quando cheguei em Florianopolis, o sol estava a pino e meu termometro de bolso marcava 39 graus. Meio dia. A pior hora para caminhar por uma cidade. Levantei da poltrona lentamente, tentando ignorar a sensacao de dormencia nas pernas depois de uma viagem de cinco horas, desci do onibus espreguicando e fui pegar minha mochila. Após a confusao habitual para recuperar a bagagem, fui direto ao setor de informacoes turisticas da rodoviaria, um dos muitos truques que aprendi com outros mochileiros quando estava em Curitiba.

    - Boa Tarde moco. Posso ajuda-lo ? - Perguntou a atendente com um sorriso simpatico.

    Me surpreendi. Apos quatro dias em Curitiba já tinha me acostumado com pessoas de cara amarrada, o choque cultural de alguem com um sorriso no rosto foi grande e bem vindo.

    - Boa Tarde ! Estou procurando o albergue da juventude de Floripa. Voce sabe onde é ?

    - Ah, é bem facil. Dá pra ir a pé. É só subir a avenida principal e virar à esquerda depois do fim da subida.

    Sai devagar da estacao rodoviaria, caminhando pela avenida principal à beira mar, olhando as ondas que quebravam com forca nas pedras e admirando a beleza da ponte que liga a ilha ao continente. É uma paisagem de impacto visual, uma capital diferente de todas as outras capitais brasileiras que eu já vi. Talvez seja a mais bonita. Depois de quase um quilometro de subida debaixo do sol de quarenta graus da cidade, eu incorporava uma outra licao ao meu livro de anotacoes : Sempre pergunte as distancias quando pedir informacoes.



Cheguei ao albergue pingando suor, como se tivesse chovido. Me apressei em fazer o check in. Naquela hora tudo o que eu queria era uma ducha gelada. Depois de uma rapida conversa com a atendente da recepcao, pude perceber que realmente estava em um lugar com pessoas muito mais simpaticas e abertas a conversacao.

    Subi as escadas com a mochila nas costas em direcao ao primeiro andar, tentando explorar o novo ambiente. Um dos fatos interessantes sobre viajar hospedando-se em albergues, é que voce nunca sabe o que vai encontrar. A definicao de albergue é muito ampla e vai desde uma casa velha e escura com banheiros fedorentos onde todos os mochileiros vao por falta de opcao até um hostel muito bem estruturado, com quartos e banheiros limpos e ambiente propicio a novas amizades. Felizmente, esse era o caso do albergue de Florianopolis. Um lugar muito agradavel, com sala de estar onde os viajantes podiam conversar, cozinha equipada, varanda com vista para a rua, tudo muito bem organizado, mais parecendo um hotel. E o mais importante, o preco pequeno.

    Decidi subir logo para o quarto, arrumar minha bagagem e finalmente conseguir minha ducha. Ao abrir a porta, me deparei com um comodo pequeno, com uma beliche de cada lado da janela que ocupava a parede central. Apenas a cama de cima de uma das beliches estava desocupada, o que significava que eu teria tres companheiros de quarto. Essa, alias, é uma outra caracteristica da hospedagem em albergues. Voce nunca sabe quem vai estar no quarto com voce. O que por um lado é bom, já que o intercambio cultural de experiencias pode ser enorme, gera tambem um grande problema : onde deixar suas coisas de valor como camera fotografica, dinheiro e passaporte. A maioria dos albergues oferecem lockers, que sao pequenos armarios de ferro com um encaixe para o cadeado. Logo vi que esse era o caso ali. Um locker para cada um dos ocupantes do quarto. Tranquei minha mochila pequena no armario e a apos um banho gelado, estava finalmente pronto para explorar a Ilha de Florianopolis.

    Visitar lugares tao turisticos como a capital de Santa Catarina tem algumas peculiaridades. Após dois dias na ilha, eu me sentia vagando por uma cidade fantasma. Praias desertas, ninguem nas ruas, lojas fechadas, hoteis vazios. O que no verao fora uma cidade congestionada e cheia de vida, sofria agora com o esquecimento da baixa estacao. Apesar de tudo, uma coisa me impedia de ir embora : o ambiente no albergue de Floripa. Aquilo era incrivel. Mochileiros de todas as partes do mundo, da Australia à Africa do Sul, da Argentina à Alemanha. Como em todos os albergues do mundo, aqui a lingua oficial era o ingles, com os mais variados sotaques e niveis de fluencia idiomatica, seguido de perto pelo idioma espanhol e um pouco de portugues, cada vez mais raro de se ouvir.   

    Há uma atmosfera de comunidade secreta em um albergue como esse. Um submundo de mochileiros que passam despercebidos no dia a dia das cidades grandes, mas que estao por toda parte. Aqui descobri que minha mochila nao estava tao pesada assim, comparando com os 25 quilos de bagagem que muitos carregavam. E que viajar sozinho é a melhor forma de estar acompanhado.   

    Nesse ambiente, amizades e paixoes sao passageiras e intensas. Quase todos tem destinos e rotas diferentes. Compartilha-se um jantar, um passeio, um trecho de viagem e muitas despedidas. As vezes para um feliz reencontro na proxima parada. As vezes para nunca mais. Assim é a vida...

 

   [ Marcus em 30/3/2005]



Comentários

Oi Marcos: que beleza de recepção que você teve em Floripa. Tomara que essa seja realmente a impressão que todos os visitantes tenham dos serviçais que prestam atendimento aos turistas que visitam a Bela e linda Ilha de Santa Catarina. Afinal, tudo que um turista deseja e precisa é ser bem tratado.

[ Enviado por Sueli de Souza em 26/3/2008 ]


eu de novo! sua viagem parece estar sendo otima, conhecendo muitas pessoas, muitos lugares, muitas ideias! um dia farei isso tambem! floripa é linda mesmo né? achei a cidade muito organizada qdo estive la. e o povo é muito receptivo, adorei! parabens pelo blog, atualize sempre!

[ Enviado por giPa em 10/4/2005 ]


Ao ler seu texto viajei por Floripa. Amo a capital do estado onde nasci!
Estou muito feliz por você! Se quiser, escreva para carlos.gaetei@gmail.com ou ligue para 748-8290 (Manuelita), quando estiver em Santiago. Os conheci há três semanas quando viajei para lá com o Cassio. O Carlos fala português e já morou quinze anos em Minas Gerais. A Manuelita é Colombiana e está no Clile á procura de trabalho. Eles são amigos. Eles são maravilhosos e andam muito!

[ Enviado por Mari em 4/4/2005 ]


Olá, adorei seu projeto e estou acompanhando sua viagem, cara vc escreve bem e nos prende a atenção. Estou aguardando anciosa os relatos de quando você estiver na região da Argentina/Chile, pois estarei indo para esses locais em Julho e espero que vc passe algumas dicas legais. Beijos e aproveite muito.
"Uma viagem pode parecer uma tortura para quem quer apenas chegar, mas para quem busca a aventura de viajar, ela pode ser um grande prazer."

[ Enviado por Marcia em 2/4/2005 ]


Muito bom seu site... Estou indo viajar sozinho em Maio - 3 semanas (2 no méxico e 1 em New York)...

Meu problema aqui é tempo ... como eu gostaria de fazer uma viagem como essa sua... 130 dias! ...

Parabéns pela iniciativa... essa experiência é sua e ninguém pode te roubar isso!...

[ Enviado por Rodolfo em 2/4/2005 ]


Promenade
Para Marcus


Houve, certa vez,
um louco que se levantou e disse:
- Quer saber... Voy a descubrir la sudamerica!

E foi-se o louco por seu caminho
Em suas costas levava uma sacola
e dentro dela milhões de pessoas que junto a ele caminhavam
mesmo sem estarem lá

E a cada passo que o louco dava
as pedras por ele pisadas
sorriam
pois serem pisadas é o que mais agrada
às pedras do caminho

Mas o que não sabem as pedras
nem as pessoas na sacola
e nem mesmo sabe o louco
é que em algum lugar na rural terra do queijo
há seu irmão que com ele também caminha

ainda que em sonhos,
mesmo sem estar lá


de ton frère que t`aime beaucoup

[ Enviado por Caio Cesar Christiano em 31/3/2005 ]


Oiês !!!!
Ó eu aqui di novu !!
Que delícia ler os seus textos sobre a viagem, é como se eu estivesse junto e visitando todos os lugares e passando pelas mesmas situações, tendo as mesmas sensações !!! :-)
Conta pra gente como foi em Porto Alegre, Chuí e Punta del Leste !! estou curiosíssima !!!

Ah ! to esperando os postais por email !!

bjos

Lu.

[ Enviado por Luciana em 30/3/2005 ]


Olá, Marcus! Como disse em um outro comentário, estarei acompanhando sua aventura com muita admiração!
Dando mais uma olhada no seu roteito (eu não me canso de olhar) percebi uma coisa: tem uma linha partindo de Viña del Mar rumo à Ilha de Páscoa, mas esse destino não consta no roteiro. E aí? Vai ou não vai pra lá?
Outra observação: Vc vai postar um comentário sobre cada cidade por onde passar? Se for, tá na hora de colocar os textos em dia! Vc está atrasado em 3 cidades já! hehehehe...
Um abraço

[ Enviado por Paulo_nicolau@hotmail.com em 30/3/2005 ]



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